{"id":1572,"date":"2015-09-07T00:00:02","date_gmt":"2015-09-07T03:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/?p=1572"},"modified":"2020-09-13T14:27:17","modified_gmt":"2020-09-13T17:27:17","slug":"o-que-significou-o-grito-independencia-ou-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/?p=1572","title":{"rendered":"O que significou o grito &#8220;independ\u00eancia ou morte&#8221;?"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cIndepend\u00eancia ou Morte!\u201d Consagrado pela Hist\u00f3ria, o Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, quase n\u00e3o causou repercuss\u00e3o entre seus contempor\u00e2neos. Na imprensa do Rio de Janeiro, somente o n\u00famero de 20 de setembro do jornal O Espelho exaltou \u201co grito acorde de todos os brasileiros\u201d. Na pr\u00e1tica, a Independ\u00eancia estava longe de chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>(&#8230;) A vinda da Corte e a presen\u00e7a in\u00e9dita de um soberano em terras americanas motivaram novas esperan\u00e7as entre a elite intelectual luso-brasileira. \u00c0quela altura, ningu\u00e9m vislumbrava a ideia de uma separa\u00e7\u00e3o, mas esperava-se ao menos que a metr\u00f3pole deixasse de ser t\u00e3o centralizadora em suas pol\u00edticas. V\u00e3 ilus\u00e3o: o imp\u00e9rio instalado no Rio de Janeiro simplesmente copiou as principais estruturas administrativas de Portugal, o que contribuiu para refor\u00e7ar o lugar central da metr\u00f3pole, agora na Am\u00e9rica, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais capitanias do Brasil, mas at\u00e9 ao pr\u00f3prio territ\u00f3rio europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O auge do questionamento das pr\u00e1ticas do Antigo Regime aconteceu em 24 de agosto de 1820, quando estourou a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto. Clamava-se por uma Constitui\u00e7\u00e3o baseada nas liberdades e direitos do liberalismo nascente. A revolu\u00e7\u00e3o teve importante eco no Brasil, por meio de uma espantosa quantidade de jornais e folhetos pol\u00edticos. Durante todo o ano de 1821, por\u00e9m, n\u00e3o surgiu nesses impressos qualquer proposta favor\u00e1vel \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio de 1822, ningu\u00e9m falava de Brasil. Ao partir para as Cortes de Lisboa, para a discuss\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do Reino, os deputados americanos pensavam apenas em suas \u201cp\u00e1trias locais\u201d, ou seja, em suas prov\u00edncias. S\u00f3 os paulistas demonstraram alguma preocupa\u00e7\u00e3o em construir uma proposta para o conjunto da Am\u00e9rica portuguesa. Nem por isso abriam m\u00e3o da integridade do Reino Unido: sugeriam o Brasil como sede da monarquia, ou ent\u00e3o a altern\u00e2ncia da resid\u00eancia do rei entre um lado e outro do Atl\u00e2ntico. \u201cIndepend\u00eancia\u201d significava, antes de mais nada, autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo daquele ano, por\u00e9m, o discurso se radicalizou. A insatisfa\u00e7\u00e3o com a metr\u00f3pole crescia, pois das Cortes vinham propostas para retomar algumas das antigas restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que tinham limitado a autonomia do Brasil no passado. Junto com o projeto constitucionalista surgia a ideia separatista, embora ainda n\u00e3o direcionada a toda a Am\u00e9rica portuguesa.<br><br>Considerada na \u00e9poca como a data que oficializou a separa\u00e7\u00e3o do Brasil de sua antiga metr\u00f3pole, a aclama\u00e7\u00e3o de Pedro I como imperador, em 12 de outubro de 1822, n\u00e3o significou a unidade pol\u00edtica do novo Imp\u00e9rio. A proposta foi aceita pelas C\u00e2maras Municipais de Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pernambuco titubeou durante algum tempo. Por causa das dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o, Goi\u00e1s e Mato Grosso s\u00f3 prestaram juramento de fidelidade ao Imp\u00e9rio em janeiro de 1823. Enquanto isso, Par\u00e1, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Cear\u00e1, al\u00e9m de parte da Bahia e da prov\u00edncia Cisplatina, permaneceram leais a Portugal, refrat\u00e1rias ao governo do Rio de Janeiro. Foram tempos de guerra. No in\u00edcio de 1823, enquanto v\u00e1rias prov\u00edncias j\u00e1 escolhiam seus deputados para a Assembleia Legislativa e Constituinte do Rio de Janeiro, o Maranh\u00e3o elegia deputados para as Cortes ordin\u00e1rias de Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, apesar dos horrores da guerra e das tens\u00f5es que n\u00e3o desapareceram, esbo\u00e7ou-se pela for\u00e7a a unidade territorial do Brasil. Mas o rompimento total e definitivo mantinha-se sub judice. Afinal, o imperador era portugu\u00eas e sucessor do trono dos Bragan\u00e7a. Capaz, portanto, de reunir novamente, ap\u00f3s a morte do pai, os dois territ\u00f3rios que o Atl\u00e2ntico separava.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente em 1825, depois de demoradas negocia\u00e7\u00f5es, D. Jo\u00e3o VI reconheceu a Independ\u00eancia, em troca de indeniza\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, o gesto veio sob a forma de concess\u00e3o, transferindo a soberania do reino portugu\u00eas, que ele detinha, para o reino do Brasil, sob a autoridade de seu filho. E D. Jo\u00e3o foi al\u00e9m: reservou para si o t\u00edtulo de imperador do novo pa\u00eds, registrado nos documentos que assinou at\u00e9 sua morte, em 1826.<\/p>\n\n\n\n<p>Os la\u00e7os de sangue faziam da Independ\u00eancia um processo amb\u00edguo e parcial. Foi preciso esperar outra data, a da abdica\u00e7\u00e3o de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, para que se rompesse definitivamente qualquer v\u00ednculo do Brasil com Portugal. Assumia o poder um soberano-menino, tamb\u00e9m ele um Bragan\u00e7a, mas nascido e criado no Brasil. No linguajar dos exaltados do per\u00edodo regencial, acabava-se \u201ca farsa da independ\u00eancia Ipiranga\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucia Bastos Pereira das Neves \u00e9 professora titular de Hist\u00f3ria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: http:\/\/www.rhbn.com.br\/secao\/capa\/nem-as-margens-ouviram<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"306\" height=\"306\" src=\"http:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ezgif.com-webp-to-png-45.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1573\" srcset=\"https:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ezgif.com-webp-to-png-45.png 306w, https:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ezgif.com-webp-to-png-45-300x300.png 300w, https:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ezgif.com-webp-to-png-45-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cIndepend\u00eancia ou Morte!\u201d Consagrado pela Hist\u00f3ria, o Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, quase n\u00e3o causou repercuss\u00e3o entre seus contempor\u00e2neos. 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