{"id":137,"date":"2016-05-13T12:29:00","date_gmt":"2016-05-13T15:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/?p=137"},"modified":"2020-09-12T10:54:25","modified_gmt":"2020-09-12T13:54:25","slug":"13-de-maio-abolicao-oficial-da-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ronaldoonishi.com.br\/?p=137","title":{"rendered":"13 de maio &#8211; Aboli\u00e7\u00e3o oficial da Escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escravid\u00e3o concentrava-se nas partes mais modernas da economia brasileira e tornara-se menos relevante nos setores atrasados ou decadentes. Em 1887, o Minist\u00e9rio da Agricultura, em seu relat\u00f3rio anual, contabilizava a exist\u00eancia de 723.419 escravos no Pa\u00eds. Desse total, a Regi\u00e3o Sudeste (S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo), produtora de caf\u00e9, abarcava uma popula\u00e7\u00e3o cativa de 482.571 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, o Pa\u00eds passara a incentivar, desde 1870, a entrada de trabalhadores imigrantes \u2013 principalmente europeus \u2013 para as lavouras do Sudeste. Os n\u00fameros da entrada de estrangeiros s\u00e3o eloquentes. Segundo o IBGE, entre 1871 e 1880, chegam ao Brasil 219 mil imigrantes. Na d\u00e9cada seguinte, o n\u00famero salta para 525 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, no \u00faltimo dec\u00eanio do s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o, o total soma 1,13 milh\u00e3o. A implanta\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica capitalista \u2013 materializada nos neg\u00f3cios ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, como casas banc\u00e1rias, estradas de ferro, bolsa de valores etc. \u2013 vai se irradiando pela base produtiva. Isso faz com que parte da oligarquia agr\u00e1ria se transforme numa florescente burguesia, estabelecendo novas rela\u00e7\u00f5es sociais e mudando desde as caracter\u00edsticas do mercado de trabalho at\u00e9 o funcionamento do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para essa economia, o negro cativo era uma pe\u00e7a obsoleta. Al\u00e9m de seu pre\u00e7o ter aumentado ap\u00f3s o fim do tr\u00e1fico, em 1850, o trabalho for\u00e7ado mostrava-se mais caro que o assalariado. A trajet\u00f3ria que resultou no fim da escravid\u00e3o come\u00e7ou em 1850, com a extin\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos no Brasil. Em 1871, foi promulgada a Lei do Ventre-Livre que tornava livres os filhos de escravos que nascessem a partir da decreta\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano de 1885, foi promulgada a lei Saraiva-Cotegipe (tamb\u00e9m conhecida como Lei dos Sexagen\u00e1rios) que beneficiava os negros com mais de 65 anos de idade. Foi somente em 13 de maio de 1888, atrav\u00e9s da Lei \u00c1urea, que a liberdade total foi decretada. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II), abolia de vez a escravid\u00e3o em nosso pa\u00eds.\u00a0Apesar da \u00eanfase abolicionista de setores das camadas m\u00e9dias e mesmo das elites em alguns centros urbanos, a prega\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria tinha limites. Para Joaquim Nabuco, um defensor da aboli\u00e7\u00e3o, o negro n\u00e3o tem consci\u00eancia nem voz. Precisa de algu\u00e9m para defend\u00ea-lo. \u00c9 natural que quem o fa\u00e7a seja um branco, culto e influente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio (1853-1905), tido como um abolicionista radical, n\u00e3o apresenta vis\u00e3o muito distinta. O chamado\u00a0Tigre da Aboli\u00e7\u00e3o\u00a0falava em &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas apontava ressalvas, dizendo ser necess\u00e1ria uma \u201calian\u00e7a do soberano com o povo&#8221;: &#8220;\u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o de cima para baixo. O povo n\u00e3o teria for\u00e7a por si s\u00f3 para realizar a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o&#8221;. Ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o Em sua nova condi\u00e7\u00e3o, os ex-escravos, al\u00e9m de serem discriminados pela cor, somaram-se \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pobre e formaram os indesejados dos novos tempos, os deserdados da Rep\u00fablica. O aumento do n\u00famero de desocupados, trabalhadores tempor\u00e1rios, mendigos e crian\u00e7as abandonadas nas ruas redunda tamb\u00e9m em aumento da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei \u00c1urea foi um documento que representou a liberta\u00e7\u00e3o formal do escravo, mas n\u00e3o garantiu a sua incorpora\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3o pleno \u00e0 sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-color has-text-color wp-block-paragraph\">Fonte de pesquisa: IPEA \u2013 Desafios do desenvolvimento, Hist\u00f3ria \u2013 o destino dos negros ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o, Ano 8 . Edi\u00e7\u00e3o 70 &#8211; 29\/12\/2011 ipea \u2013desafios do desenvolvimento.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escravid\u00e3o concentrava-se nas partes mais modernas da economia brasileira e tornara-se menos relevante nos setores atrasados ou decadentes. Em 1887, o Minist\u00e9rio da Agricultura, em seu relat\u00f3rio anual, contabilizava a exist\u00eancia de 723.419 escravos no Pa\u00eds. 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